terça-feira, 20 de outubro de 2009

29-Espaço Confinado

29-Espaço Confinado

Definição:

Espaço Confinado é qualquer área não projetada para ocupação contínua, a qual tem meios limitados de entrada e saída e na qual a ventilação existente é insuficiente para remover contaminantes perigosos e ou deficiência/enriquecimento de oxigênio que possam existir ou se desenvolverem.

Recomendações gerais:
1- Todos os espaços confinados devem ser sinalizados, identificados e isolados;
2- Deve haver medidas efetivas para que pessoas “não autorizadas” não entrem no espaço confinado;
3- Deve ser desenvolvido e implantado um programa escrito de Espaço Confinado com Permissão de Entrada;
4- Deve ser eliminada qualquer condição insegura no momento anterior à remoção do vedo (tampa);
5- Para trabalho em Atmosfera Imediatamente Perigosa à Vida e à Saúde -(IPVS) ou acima da metade do Limite de Tolerância, adotar o critério da ventilação do ambiente ou então optar pelo uso de Equipamento de Proteção Individual -(EPI) (definido após a análise de risco);
6- Se uma atmosfera perigosa for detectada, o espaço deverá ser analisado para que se determine como surgiu e ser registrado;
7- O empregador ou representante legal deve verificar se o Espaço Confinado está seguro para entrada;
8- Proceder manobras de travas, bloqueios e raqueteamento quando necessário;
9- Proceder a avaliação da atmosfera quanto a: gases e vapores tóxicos e ou inflamáveis e concentração de oxigênio;
10- Proceder a avaliação de poeira quando reconhecido o risco;
11- Purgar, inertizar, lavar ou ventilar o espaço confinado são ações para eliminar ou controlar riscos;
12- Proceder a avaliação de riscos físicos, químicos, biológicos e ou mecânicos;
13- Todo trabalho em espaço confinado deve ter, no mínimo, 2 pessoas, sendo uma delas o vigia;
14- Verificar se na empresa existe espaço confinado em áreas classificadas de acordo com as normas do IEC e ABNT.

Responsabilidades do empregador:
1- Indicar o responsável técnico para trabalhos em espaços confinados;
2- Reconhecer, cadastrar e sinalizar, identificando os espaços confinados existentes no estabelecimento ou de sua responsabilidade;
3- Identificar os riscos gerais e específicos de cada espaço confinado;
4- Implementar a gestão em segurança e saúde no trabalho de forma a garantir permanentemente ambientes e condições adequadas de trabalho;
5- Garantir a capacitação permanente dos trabalhadores sobre os riscos, as medidas de controle, de emergência e resgate em espaços confinados;
6- Garantir que o acesso a espaço confinado somente ocorra após emissão da Permissão de Entrada, restringindo o acesso a todo e qualquer espaço que possa propiciar risco à integridade física e à vida;
7- Fornecer às empresas contratadas informações sobre os riscos potenciais nas áreas onde desenvolverão suas atividades;
8- Acompanhar a implementação das medidas de segurança e saúde dos trabalhadores das empresas contratadas, provendo os meios e condições para que possam atuar em espaços confinados com segurança;
9- Interromper todo e qualquer tipo de trabalho no caso de suspeição de condição de risco grave e iminente, procedendo a imediata evacuação do local;
10- Garantir informações atualizadas sobre os riscos e medidas de controle antes de cada acesso aos espaços confinados;
11- Garantir que os trabalhadores possam interromper suas atividades e abandonar o local de trabalho sempre que suspeitarem da existência de risco grave e iminente para sua segurança e saúde ou a de terceiros;
12- Implementar as medidas de proteção necessárias para a execução de trabalho seguro em espaço confinado.

Responsabilidades dos empregados:

a) Trabalhadores autorizados:
1- Conheçam os riscos e as medidas de prevenção;
2- Usem adequadamente os equipamentos;
3- Saibam operar os recursos de comunicação para permitir que o vigia monitore a atuação dos trabalhadores e alerte da necessidade de abandonar o espaço confinado.

b) Vigia:
1- Conhecer os riscos e as medidas de prevenção que possam ser enfrentadas durante a entrada;
2- Estar ciente dos riscos de exposição dos trabalhadores autorizados;
3- Manter continuamente uma contagem do número de trabalhadores autorizados no espaço confinado e assegurar que os meios usados para identificar os trabalhadores sejam exatos na identificação;
4- Permanecer fora do espaço confinado junto à entrada, durante as operações, até que seja substituído por outro vigia;
5- Acionar a equipe de resgate quando necessário;
6- Operar os movimentadores de pessoas em situações normais ou de emergência;
7- Manter comunicação com os trabalhadores para monitorar o estado deles e para alertá-los quanto à necessidade de abandonar o espaço confinado;
8- Não realizar tarefas que possam comprometer o dever primordial que é o de monitorar e proteger os trabalhadores.

c) Supervisores:
1- Conhecer os riscos que possam ser encontrados durante a entrada, incluindo informação sobre o modo, sinais ou sintomas e conseqüência da exposição;
2- Conferir que tenham sido feitas entradas apropriadas segundo a permissão e que todos os testes tenham sido executados e todos os procedimentos e equipamentos tenham sido listados;
3- Cancelar os procedimentos de entrada quando necessário;
4- Verificar se os sistemas de emergência e resgate estão disponíveis e que os meios estejam operantes;
5- Na troca de vigia, transferir a responsabilidade para o próximo vigia.

Riscos gerais

Antes de entrar no Espaço Confinado, o mesmo deve ser inspecionado e serem identificados os riscos existentes, dentre eles podemos encontrar:

1- Riscos mecânicos:
- Equipamento que podem movimentar-se subitamente;
- Choques e golpes por chapas defletoras, agitadores, elementos salientes, dimensões reduzidas da boca de entrada, obstáculos no interior, etc.
2- Riscos de choque elétrico por contato com partes metálicas que, acidentalmente, podem ter tensão;
3- Quedas a diferentes níveis e ao mesmo nível por escorregão, etc.;
4- Quedas de objetos no interior enquanto se está trabalhando;
5- Posturas incorretas;
6- Ambiente físico agressivo: ruído elevado e vibrações (martelos pneumáticos, esmeril, etc.);
7- Ambiente quente ou frio;
8- Iluminação deficiente;
9- Um ambiente agressivo, além do risco de acidentes, acrescenta fadiga;
10- Presença de animais no espaço confinado (vivos ou mortos);
11- Fechamento acidental do vedo (tampa);
12- Riscos derivados de problemas de comunicação entre interior e exterior do espaço confinado.
Riscos específicos

Antes de entrar no Espaço Confinado, o mesmo deve ser inspecionado e serem identificados os riscos específicos existentes, dentre eles podemos encontrar:

1- Deficiência de oxigênio (asfixia): concentrações de oxigênio abaixo de 19,5%, sendo que abaixo de 18% o risco é grave e iminente.
A deficiência de oxigênio pode ser por deslocamento (ex: vazamento de nitrogênio no espaço confinado) e consumo de oxigênio ex: oxidação de superfície metálica no interior de tanques)

2- Enriquecimento de oxigênio: concentrações de oxigênio acima de 23,5% (ex: ventilar oxigênio para o espaço confinado);
3- Intoxicação: contaminantes com concentrações acima do Limite de Tolerância até Imediatamente Perigosa à Vida e à Saúde – IPVS (ex: monóxido de carbono LT acima de 25 ppm e IPVS de 1200 ppm;
4- Incêndio e explosão: presença de substâncias inflamáveis, tais como, metano, acetileno, GLP, gasolina, querosene, etc.

Para trabalhos em Espaços Confinados verifique os equipamentos que você vai precisar:

1- Equipamentos de detecção de gases e vapores;
2- Equipamentos de ventilação mecânica;
3- Equipamentos de comunicação;
4- Equipamentos de iluminação;
5- Equipamentos de proteção respiratória;
6- Equipamentos de proteção individual;
7- Equipamentos de primeiros socorros.

Serviços de emergência e resgate:

1- O empregador deve assegurar que cada membro do serviço tenha EPI respiratório e de resgate necessários para operar em espaços confinados e sejam treinados no uso dos mesmos;
2- Cada membro do serviço de resgate deverá ser treinado para desempenhar as tarefas de resgate designadas;
3- Cada membro do serviço deverá receber o mesmo treinamento requerido para os trabalhadores autorizados;
4- Cada membro do serviço de resgate deverá ser capacitado, fazendo resgate ao menos uma vez a cada 12 meses, por meio de simuladores de espaços confinados.

PROTEÇÃO CONTRA QUEDAS

O Ministério do Trabalho e Emprego exige, para serviços em espaços confinados com risco de queda, equipamentos adequados que garantam, em qualquer situação, conforto e segurança do trabalhador nas três operações fundamentais:

a) Fácil movimentação de subida / descida;
b) Proteção contra eventual queda;
c) Rápido e fácil resgate por um só vigia.

Para efetuar as operações acima, são usados suportes de ancoragem, guinchos, trava-quedas, cinturões de segurança, cadeiras suspensas, cabos de aço ou cordas que, criteriosamente combinados, oferecem solução prática, segura e econômica para qualquer situação de trabalho.

Importante: Usar cabo de aço ou corda ?
Para escolha adequada, devem ser considerados os seguintes aspectos:
1- Para segurança contra perigo de faísca em espaço confinado com atmosfera potencialmente explosiva é comum usar equipamentos com corda sintética ou cabo de aço com revestimento sintético;
2- Em serviços envolvendo solda, máquinas de corte ou produtos ácidos, costuma-se usar cabo de aço;
3- Em locais com risco de contato com fiação energizada, costuma-se usar corda devido à sua baixa condutividade elétrica;
4- Nas indústrias farmacêuticas e alimentícias, é normal usar cabo de aço inoxidável;
5- Em locais com risco de haver movimentação do cabo sobre quinas cortantes de concreto ou aço, durante uma emergência, adota-se o robusto cabo de aço com 8 mm de diâmetro, carga de ruptura de 3480 kg.
Aprovação de uso: equipamentos patenteados, obedecem às exigências do Ministério do Trabalho e à norma NBR 14751 da ABNT (itens 4.2.7, 4.3 e 5.4).
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